Dualidade
- Kelyn Meira
- 18 de mar. de 2019
- 1 min de leitura
Meu corpo quer uma coisa enquanto minha alma quer outra.
Muito mais que sentir dor, isso me desgasta.
Me sinto sugada o tempo todo, como se minha energia fosse uma torneira de água cristalina indo pelo ralo.
Não sei se isso é algo a ver com a vida sem sentido que levo *com certeza é*.
O peso do mundo em minhas costas, as palpitações, taquicardias e angústia sem motivo aparente.
Meu corpo quer me convencer de que está tudo bem, que eu devo ser grata por tudo que conquistei num período tão curto de tempo (trabalho, casa, carro e principalmente um amor de verdade) mas algo dentro de mim grita o tempo todo.
Há um prisioneiro dentro de mim. Esse, me machuca todos os dias. Arranha as paredes, minha carne e crava os dentes na minha garganta. Me faz sentir dor e desespero o tempo todo.
Por fora, eu me esforço em sentir tudo aquilo que acho certo, mas por dentro o prisioneiro me maltrata.
Sinto como se a qualquer momento eu possa ser dilacerada de dentro para fora.
O prisioneiro sempre esteve aqui.
Há momentos em que ele se aquieta e me deixa viver em paz. Mas há períodos que ele grita o tempo todo, pois ele não aguenta mais esse cárcere que já dura tanto tempo.
Você pode pensar que o prisioneiro é mal e que está preso por algum motivo. Mas ele está preso injustamente neste corpo.
Eu o prendi e tenho medo de libertá-lo, pois sei que isso significaria a minha morte.
Eu não quero morrer e não quero mantê-lo preso. Eu quero poder existir sem machucar ninguém.
Quero ir para um lugar onde isso seja possível.

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